A espada ninja


A tsukagashira ou ponta mais grossa da alça da espada era geralmente feita de aço. A tsuba ou proteção era quadrada e de tamanho maior. A saya ou bainha era geralmente acabada com verniz preto e a boca da bainha era costumeiramente acabada em metal. O cobre era preferido para força extra. O sageo ou cordão era geralmente preto e tinha cerca de 3.6 metros de comprimento. O ninja preferia uma espada de comprimento médio; não longa demais para interferir com a mobilidade, nem curta demais para ser eficiente em combate. A espada deles era habitualmente de 42 a 54 centímetros de comprimento.

Os ninja são freqüentemente descritos carregando suas ninja-to apoiadas sobre seus ombros ou suas costas. Levar a espada nas costas era algumas vezes mais convenientes do que usá-las no obi (cinto) perto do quadril esquerdo. Porém, este método também tinha suas desvantagens. Em lugares apertados, a espada podia não ser facilmente sacada acima da cabeça. Ela poderia até se tornar emperrada ou fincada acima da cabeça. Também, a espada tendia a fazer mais ruído contra a bainha quando sacada desta posição acima do ombro, quando comparada com o saque da espada de perto do quadril. Mesmo depois de ser sacada, era desajeitado e levava tempo para retornar a espada à sua bainha.
 

A kenjutsu do ninja requer unidade de espada, mente e corpo. Para boa técnica de espada, você precisa compreender as relações entre todos os três componentes. Ao lutar com uma espada, as pessoas freqüentemente pensam que a lâmina da espada é a única coisa que importa. Este é um erro comum. A tsuka (alça), saya (bainha), sageo (cordão), e tsukagashira (ponta espessa da alça) são exemplos de partes da espada, além da lâmina. Quando se aprende como usar todas as partes da espada bem, a técnica de espada de fato será de elevado calibre. A espada tem a habilidade de fazer todas as seguintes técnicas: kiri (cortar), utsu (golpear), naguru (bater ou empurrar), tsuki (espetar) e nageru (arremessar a espada).

A katana do samurai era freqüentemente mais afiada, mais longa, e melhor equilibrada. O samurai era um soldado profissional que diariamente desempenhava centenas, algumas vezes milhares de repetições de saques e cortes de espada. O ninja, por causa da natureza muito secreta de sua existência, freqüentemente não era capaz de praticar não só a técnica de espada, mas também outras técnicas marciais. O que lhe faltava na prática, ele tinha que tentar compensar com furtividade, imprevisibilidade e, algumas vezes, com táticas não convencionais.

Kenjutsu inclui quatro partes principais. Elas são: como sacar a espada, como embainhá-la, atacar e defender. O velho ditado é que quando você tiver dominado battojutsu (saque de espada), não há necessidade de aprender as outras três partes do kenjutsu. Este ditado indica a importância de um saque adequado e também significa que o vencedor e o perdedor de um confronto de espada são determinados mesmo antes da espada ser sacada.

 

Em kenpo (o modo de aprender espada), o primeiro passo é ser capaz de vencer sem sacar sua espada, irradiando sua força interior pessoal, comumente conhecida como ki nas verdadeiras artes marciais. Esta é a elevação da realização das artes marciais: vencer sem contenção.

Hoje em dia, há muitos conceitos errados sobre a técnica de espada apropriada acerca do que é tradicional e do que não é. A técnica tradicional de espada funcionou por centenas de anos para o ninja e também para o samurai. Suas técnicas de luta eram baseadas em situações reais de guerra, não em coisas que eles faziam apenas pelo prazer de serem diferentes. Os princípios de técnicas e os métodos de treinamento que eles desenvolviam e usavam (incluindo tais fundamentos como kiri, tsuke, noto e suburi) ainda permanecem hoje como pilares eficientes da fundação da arte de espada. Um espadachim relaxado desenvolve força extraordinária e velocidade só através de incontáveis repetições de fundamentos.

O ninjutsu não é novo ou novidade. Sua idéia de que "qualquer coisa funciona", retorna a um longo caminho. É um verdadeiro sogobudo (modo marcial total). Nem está sendo limitado de forma adaptável unicamente ao ninjutsu. Mesmo Musashi o famoso espadachim tinha a reputação de ser um mestre de um certo estilo ninjutsu. Seu treinamento cruzado era especialmente útil quando ele se achava em tsubazeriai (posição de espadas travadas); então chutes, rasteiras e outras técnicas ju-jutsu eram de ajuda. O senso comum diz-nos que quanto maior nossas experiências (ou treinamento cruzado), maior nossa vantagem em combate real.

Cronometragem, distância (maai), força, velocidade e taisabaki (manipulação do corpo) podem todos ser desenvolvidos numa variedade de modos. Exercícios de dois homens conhecidos como kata ou kumitachi são excelentes para desenvolver todos os elementos acima. Naturalmente, nenhuma habilidade real pode por acaso ser alcançada com a espada sem prática de kiritsuke diária (saque e corte) e suburi (prática de corte acima da cabeça). Pelo menos vinte e cinco saques e cinqüenta a cem cortes por dia no mínimo. Cinqüenta saques e três a quatro centenas de cortes acima da cabeça seria até melhor.

Desde que o feudalismo desapareceu há longo tempo, para luta de combate real, nós temos que nos contentar com aproximadamente de perto, tais como kendo e taihojutsu (auto-defesa da polícia japonesa). Em taihojutsu, a luta livre de pleno contato é regularmente feita com a keibo (um bastão do comprimento de uma espada curta). E a nagamono (cajado do comprimento de uma espada longa). O samurai sabia pela experiência que exercícios controlados de dois homens com lâminas de verdade afiadas era perigoso. O bokken ou espada de madeira também provou ser perigosa demais. A shinai, ou espada de bambu, permitia a prática livre de pleno contato sem o perigo de se perder parceiros através de ferimentos.